sábado, 31 de agosto de 2019

Medusa

Desde pequeno me diziam que era um monstro que transformava qualquer um em pedra ao olhá-la.

Mas, descobri uma outra versão do mito. Medusa era uma sacerdotisa linda e virgem, cuidadora do templo de Atena. Foi seduzida ou estuprada por Poisedon e Atena por vingança a transformou num monstro com cabelos de serpente. Perseu com ajuda de Atena, matou a criatura no seu covil. Quando ela  morreu, deu à luz ao Pegasus e um gigante dourado, Crisaor. 

Bem fiz um resumo breve, mas, a questão é de como há várias versões de mitos e histórias, as quais fazem pensar sobre quem é o vilão e o mocinho? Medusa era má ou vítima do abuso dos Deuses Gregos? Perseu foi herói ou alguém manipulado pelos poderosos divinos? Em quem acreditar? Sempre existirá a versão dos vencedores e vencidos? E qual é o nosso papel? Deixar-se ser manipulado ou questionar constantemente, encaixando as diferentes versões para tentar ver o todo.

domingo, 30 de junho de 2019

Melancolia no domingo


Desde que me entendo por gente, sinto uma tristeza quando chega o domingo. Experimento, uma preguiça dolorida que não conseguia raciocinar. Significava que tudo começaria de novo.

A origem de tudo está no ingresso à escola. Desde pequeno, quando o domingo avançava, os pensamentos de acordar cedo me paralisava de preguiça. Inclusive, com o passar do tempo, eu postergava meus deveres e escrevia qualquer coisa para driblar os professores. Inventava números e colocava como resposta sim, não, talvez. Além de não ter um bom relacionamento com meus colegas de escola, nunca pertenci a nenhum grupo. Sempre fui um peixe fora d’água.

Hoje em dia, tento superar a tristeza dominical. Mas, as lembranças continuam vivas, martelando em mim e, constantemente tropeço nas mesmas pedras no meio do caminho. Talvez, não seja burrice, faz parte da natureza humana e se descobrir repetir os mesmos erros, é um caminho para se tornar um indivíduo melhor.

Dizem que escrever liberta, quem sabe este texto mal escrito seja um passo e, com o passar dos anos, o Domingo se torne mais um dia, para mim. Sem o mal-estar que me assola há décadas.
Concretizar em texto meu mal-estar dominical é uma forma de amadurecimento.


sexta-feira, 14 de junho de 2019

DESTRUIR É FRAQUEZA


Destruir pode dar uma falsa sensação de extravaso ou gozo. Mas, a insatisfação e a impotência continuam a assombrar. 

Talvez, quando você depreda um ponto de ônibus, sente-se poderoso e depois? A sua vida melhora?


A depredação não vem da potência. Emerge na fraqueza de não saber lidar com as frustrações.


Não adianta quebrar as coisas com raiva, continuará sendo um perdedor, que desistiu de argumentar, para se refugiar na barbárie. 


Cada vez mais estamos nos tornando homens-bomba emocionais, os quais explodem tudo que se vê pela frente.


Estamos miseráveis de corpo e alma e nos agarramos a qualquer sensação momentânea.



quarta-feira, 1 de maio de 2019

Meu quinhão


Gente, me ajudem, por favor. Preciso entrar num esquema bom. Por que esse lance de ser trabalhador honesto não está com nada! É desvalorizado e ainda é chamado de acomodado e burro porque não juntou o suficiente para fazer uma previdência privada e nem investiu em bolsas de valores, com a finalidade de aproveitar a velhice.
Enfim, quero me dar bem, pelo menos, uma vez na vida. Até aceito ser laranja para contribuir ao patriotismo. Já que uma cor laranja na nossa bandeira é melhor que a vermelha, não é mesmo?
Sou um homem de moral e bons costumes; defensor da família tradicional brasileira e muito religioso. 
Mereço uma boquinha, usurparam-me de mim a vida inteira. Chega! Basta! Quero meu quinhão!

domingo, 25 de novembro de 2018

TUDO MUDA, INCLUSIVE, OS SIGNIFICADOS DE NOSSAS LEMBRANÇAS


De repente, recordei-me de algo até então irrelevante.  Por que, agora, veio à tona?  Curioso, tudo muda, inclusive, o significado de nossas lembranças. 

Era aniversário de uma de minhas sobrinhas, a mais velha,  e  fomos  à  pista de patinação  de  gelo. Enquanto,  a aniversariante  aprendia a patinar  com  as  amigas, observei  duas  meninas ao acaso.  Uma  era gorda  e a  outra, magra.

A primeira patinava com alegria e desenvoltura, deixando todo mundo surpreso: “ Uma  menina gorda  fazer   piruetas ...”.  Por que, sempre se  acha que  todo gordo  é  desajeitado  e sedentário?  A pessoa  acima  do peso  sempre  está relacionado  ao  pejorativo?  Hoje em dia, fico  com vergonha da meu   “espanto”.  Eu tinha que admirar seu desempenho com os patins  e  não  por ser uma gorda executando bem  a atividade.  E o triste, que vi gente a  debochar da menina,  comprovado mais uma vez  como  o  mundo  é  cruel  com  quem  foge  dos padrões  impostos  pela sociedade.     

A outra parecia uma princesa, porém, tinha um olhar distante. Não parecia estar contente.  Ficou sentada com  seus  patins  à  espera   de não  sei o quê. Então, pensei que pessoas  belas e jovens nunca  deveriam ser  tristes,  pois,  todos  as  idolatram. Quem for ler isso, dirá que sou idiota e estará certo.  Tive um pensamento idiota. Quem disse que quem sofre  de  depressão só  é  gente  feia? Aliás, o que é feio e bonito?  Quem sou eu para definir  algo tão subjetivo  e  o qual    várias teorias da  beleza? Talvez, a menina nem estava triste e só  foi minha impressão, visto que a  felicidade  não tem nada  a  ver em  rir o tempo  todo.  Há diferenças entre alegria e euforia. 

Como já mencionei, esta lembrança ficou guardada em mim durante anos e veio à tona neste exato momento.  Não sei o motivo de compartilhá-la, todavia, ela expõe como tudo na vida é complexo e não se pode reduzir tudo e a todos com estereótipos.  Ninguém é igual, cada um possui uma singularidade.  Além, dos acasos da vida que influenciam nossas vidas.

domingo, 4 de novembro de 2018

Professor diferente de Instrutor

Uma vez, estava em um curso preparatório de português e quem administrava a aula disse que ali não era professor, mas, instrutor para mostrar os macetes de prova.
Fiquei surpreso com sua franqueza. 

A escola não é só um curso preparatório, pelo contrário, é um lugar onde se desenvolve o pensamento crítico. Concordo na questão de que o professor não pode ser um doutrinador e, ao invés de ensinar, propagar verdades ditas absolutas, transformando as salas de aula em palanque.
Um verdadeiro professor (além de educador) mostra aos alunos a necessidade de pensarem sozinhos e conciliarem suas liberdades individuais com às normas da sociedade.

Restringir o professor a instrutores reduzirá o ensino e irá empobrecer o pensamento.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

QUEDAS





No último sábado, fui ao centro para a manifestação a  favor da democracia. Encontrei uma antiga professora e a  toquei  de  leve para  cumprimentá-la.  Ela  passou  direto  e  me  deixou  no  vácuo. No primeiro momento, fiquei  constrangido,  porém,  comecei a  refletir  que  a  professora  tem o  direito de  não se  lembrar  de  mim. Quantas pessoas passaram pela minha e esqueci-me delas, também, e vice-versa. Frequentemente, precisamos desapegar de pessoas e objetos com a intenção de seguir em frente e conhecer novos caminhos. De repente, estava apressada para ver alguém  ou tinha um compromisso importante. Caí do meu  egocentrismo e deixei de  me levar  muito a sério, como um simples  mortal.

Depois da manifestação fui ao Centro Cultural Banco do Brasil. Quando descia da escada,  escorreguei  e  caí  de  costas nos  degraus da  escada.  Detalhe, havia um monte gente nela à espera para  entrar numa exposição. Minha irmã, disse-me que tentaram me ajudar, porém, levantei rápido  e desci rapidamente sem falar com ninguém, estava envergonhado. Por que a queda na escada me abalou tanto? Percebi-me vulnerável aos olhares alheios e  com  orgulho ferido. Como sou tolo, para me encontrar de fato, preciso passar por todas as situações. Na fragilidade,  posso encontrar a verdadeira força de viver.  Ensinaram-me desde cedo  que eu precisava ser  rocha,  mas, ela é  destruída  pelas ondas do mar por vários séculos. É bom saber o momento que se precisa de ajuda, aprender a lidar com as  limitações e a se resignar de não ter o controle de tudo. 

Depois de desenvolver este texto, conclui que quando escrevo, também, sofro uma queda. Exponho a fragilidade do meu discurso, além da falta de conhecimento da ortografia e da gramática, vivo derrapando.  Quando leio textos antigos, então, fico desgostoso por escrever tanta asneira repleta de clichês. Estabaco no chão e entendo que preciso ler mais.